GIFE

Instituto Alana lança publicação digital ‘Protagonismo – a potência de ação da comunidade escolar’

Frente a um cenário complexo e de injustiças sociais, o protagonismo infantojuvenil é uma das ferramentas capazes de revelar as potencias de reflexão, ação e transformação das realidades por toda a comunidade escolar. Essa é a aposta do Programa Escolas Transformadoras, correalizado no Brasil pela Ashoka e o Instituto Alana, que acaba de lançar uma nova publicação digital justamente sobre esta temática.

O Programa Escolas Transformadoras parte da premissa de que todos podem ser agentes de transformação social, desde que tenham acesso a uma educação que contemple e priorize competências como a criatividade, o trabalho em equipe, a empatia e o protagonismo. “A escola é o lugar privilegiado para cultivarmos relações sociais mais democráticas e também para fortalecer a potência de agir das crianças e dos jovens. O protagonismo vai além da participação dos estudantes nas atividades escolares, mas é também a oportunidade deste aluno se engajar com as transformações necessárias na realidade da vida individual e coletiva de um grupo”, explica Raquel Franzim, assessora pedagógica do Alana.

O livro faz parte de uma série construída coletivamente com a comunidade ativadora do Programa e também fruto de uma roda de conversa ‘Protagonismo na Educação: Por uma Sociedade de Sujeitos Transformadores’, realizada em novembro de 2016 na capital paulista.

A publicação ‘Protagonismo: a potência de ação da comunidade escolar’ reúne 10 artigos com reflexões e relatos de experiências de lideranças de escolas do Brasil e da América Latina, assim como de comunicadores, especialistas, empreendedores sociais e outros pensadores. Entre eles estão: Abdalaziz de Moura, do Serta de Pernambuco; Alejandro Bruni, da Argentina e Santiago Perera, da Venezuela; Carolina Pasquali, diretora de Comunicação do Alana; Helena Singer, Beatriz Goulart e Adriana Friedmann, especialistas em educação; Regina Cabral, empreendedora social da Ashoka e Carolina Hikari, estudante do Instituto Federal do Paraná (IFPR) – Campus Jacarezinho.

Os autores refletem sobre o conceito de protagonismo na educação, o que é ser protagonista e como esse protagonismo se revela entre crianças e jovens. Além disso, trazem também insumos a respeito do papel do educador e da escola no fortalecimento do protagonismo na comunidade escolar.

A socióloga e consultora do Centro de Referências em Educação Integral Helena Singer, por exemplo, ressalta que o ponto de partida da educação não deve estar nos gabinetes dos governos, mas sim no estudante, sendo que o currículo, os tempos, os espaços e a equipe responsável se organizam a partir de suas necessidades, interesses e ritmos. “O estudante é o centro de um processo que deverá levá-lo ao desenvolvimento em suas diversas dimensões – intelectual, afetiva, corporal, social, ética. Tal processo tem como ponto de partida e de chegada a autonomia. A conquista dessa autonomia depende de o estudante ter liberdade de escolha, é isso o que significa a autonomia como ponto de partida: apostando no desejo que o indivíduo tem de aprender e se desenvolver, cria-se um ambiente em que ele pode fazer escolhas. Seguindo seus interesses, buscando atingir objetivos específicos, em seu ritmo, os estudantes desenham suas trajetórias de aprendizagem”, reflete em seu artigo.

Já a jovem Carolina Hikari destaca que todos têm o poder de serem protagonistas e que isso deveria ser primordial na educação. Porém, muitos ambientes escolares não têm ainda essa visão, acredita a estudante: “Um aluno não consegue ser protagonista se a escola não o incentiva a tomar tal iniciativa; quando a escola abre espaço para o aluno agir e principalmente incentiva e apoia suas ações, ela está transformando a sociedade, pois está educando cidadãos melhores”, diz em seu texto, destacando o papel inovador da sua escola neste sentido.

O protagonismo é vivenciado de diversas formas nas escolas transformadoras. No IFPR-Campus Jacarezinho, por exemplo, os alunos têm a oportunidade de escolher as unidades curriculares que irão cursar, estabelecendo a sua trilha de aprendizagem. Na escola, há também diversas iniciativas dos estudantes junto à comunidade, como um trabalho de levantamento topográfico junto ao assentamento do MST. “Isso faz com que os estudantes observem a realidade não só pelas lentes do livro ou pela ótica do professor, mas permite que criem relações com a realidade e pensem em soluções e meios para a transformação necessária”, comenta Raquel.

No segundo semestre, o Escolas Transformadoras terá outras novidades, como o lançamento de uma nova publicação, que reunirá as experiências das 15 primeiras escolas reconhecidas pelo programa. Serão realizados lançamentos regionais do livro, em parceria com universidades, comunidades, rede de jornalistas, entre outros atores locais. Já em novembro, as escolas de toda a região irão participar de um encontro latino-americano, na Colômbia, para trocarem experiências sobre suas práticas. Uma nova roda de conversa será realizada em 2018, sobre as demais competências: criatividade ou trabalho em equipe.

A publicação sobre protagonismo está disponível para download em portuguêsinglês e espanhol.