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Série sobre transformações em escolas brasileiras

É inquestionável que escolas são ambientes vivos. Paredes, cadeiras e lousas presenciam a troca, o aprendizado e a interação todos os dias, além de importantes mudanças na forma de aprender e ensinar. Para mostrar como escolas protagonizaram grandes transformações na educação, foi lançada a série Corações e mentes, escolas que transformam.

A iniciativa do Instituto Alana e do Itaú Social foi uma ideia de Cacau Rhoden, diretor da série. Raquel Franzim, coordenadora do programa Escolas Transformadoras, do Instituto Alana, explica que, quando o programa foi lançado no Brasil, Cacau e Ju Borges, produtora da Maria Farinha Filmes, pensaram que aquele material seria rico e inspirador para mostrar como a educação já está mudando no Brasil.

A ideia ficou adormecida até ser retomada em 2017 pelo Alana e Itaú Social, com o apoio da Ashoka, do Canal GNT, da Indústria Mercur e da Gávea Investimentos.

A produção, que ficou a cargo da Maria Farinha Filmes, foi lançada no dia 5 de outubro. Um novo episódio será lançado semanalmente em outubro, marcado pelo Dia dos Professores.

Os mini-documentários retratam que escolas de diferentes estados enfrentam desafios distintos, mas têm em comum a crença na potência do ambiente escolar para a transformação social, uma vez que é lá que alunos interagem desde pequenos entre si, com professores e funcionários, aprendendo o conteúdo didático, habilidades sociais e se desenvolvendo como seres humanos.

“Essa série tem a missão de mobilizar não apenas educadores, mas famílias e público em geral para mostrar que a educação é uma ferramenta poderosa de transformação da nossa própria vida e também da sociedade. Além disso, apostamos na educação como um instrumento de justiça social no Brasil. Temos um cenário de desigualdades não só educativas, mas políticas, econômicas e culturais, e a série vem mostrar que a educação ainda é esse lugar onde podemos criar condições para que as pessoas acessem oportunidades num pé de igualdade”, explica Raquel.

Cláudia Sintoni, especialista em mobilização social do Itaú Social, ressalta a potência da iniciativa, que buscou dar visibilidade a transformações promovidas em diferentes escolas e realidades brasileiras. “Nós ficamos muito felizes de ter a oportunidade de participar de um projeto que mostra em imagens o que acontece nas escolas. É um processo muito inspirador, muito poderoso.”

Empatia, trabalho em equipe, criatividade e protagonismo

A série é composta por quatro episódios. Cada mini-documentário tem 26 minutos de duração e trata de um tema diferente. O episódio de abertura traz a aposta de profissionais da educação na empatia e como essa habilidade tem seu desenvolvimento facilitado a partir do convívio com o outro na escola. O nome do capítulo, “O universo dos outros”, dá o tom. “Esse episódio mostra a importância de assumirmos diferentes perspectivas para poder fazer transformação social a partir não só da nossa perspectiva, mas do outro e com o outro”, explica Raquel.

O segundo capítulo, intitulado “Eu, você e o mundo todo”, tem como tema principal o trabalho em equipe e visa mostrar a importância da colaboração, do trabalho em equipe e das coalizões para de fato provocar impactos sistêmicos. O terceiro episódio, “Inovação e invenção nossa de cada dia” mostra que não são necessárias milhares de coisas para alcançar uma transformação social ou da educação. “Buscamos iniciativas que mostram que soluções simples às vezes são extremamente criativas e provocam esses grandes impactos que a gente tanto espera.”

Por fim, “A voz e a vez” fecha a série com o tema protagonismo, mostrando a potência de ação de cada pessoa e como todos são importantes no processo de transformação. “A nossa ideia foi mostrar que a transformação não está na mão de um ou de outro, mas parte desse reconhecimento de que cada um é capaz de fazer transformações positivas, não só na sua vida mas na vida dos outros.”

Toda sexta-feira, um novo episódio será exibido no canal GNT, às 23h59. Além disso, também é possível assistir as produções no GNT play ou organizar uma sessão por meio da plataforma Videocamp, que disponibiliza filmes e séries para serem exibidas coletiva e gratuitamente. O primeiro episódio será disponibilizado na plataforma para que qualquer pessoa possa assistir. Saiba mais aqui.

As escolas do Brasil

Segundo Raquel, as escolas retratadas na série foram escolhidas a partir da trajetória daquelas que foram reconhecidas pelo programa Escolas Transformadoras.

As instituições de ensino contam suas histórias de diferentes regiões, vindas de São Paulo, Paraná, Bahia, Pernambuco, Ceará e Amazonas. No primeiro capítulo da série, por exemplo, o espectador acompanha mudanças protagonizadas por diversas instituições como a Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima, em São Paulo, e a Escola Municipal Professor Waldir Garcia, em Manaus.

Apesar de passarem por desafios diferentes, todas precisaram olhar para suas dificuldades e coletivamente buscar saídas e soluções criativas. “Uma escola em Manaus tem um cenário absolutamente diferente de uma escola  no interior de Pernambuco. Independente dessas diferenças, elas tiveram que buscar uma alternativa, além de reconhecer que a transformação não está na mão de um gestor, um professor ou um projeto, mas há uma potência coletiva de transformação que não é possível de acontecer sem que a gente reconheça a perspectiva do outro”, ressalta Raquel.

Com essa diversidade de cenários, é possível inspirar outras instituições de ensino a buscar novos objetivos, metas e realizações que combinem a realização dos alunos, das famílias e dos profissionais envolvidos no processo. “A série não traz nenhuma receita do tipo ‘faça assim ou faça assado’. Nós acreditamos que ela inspira cada um a se sentir potente para se juntar com outras pessoas e reconhecer quais são as transformações que o meu território, a minha instituição e a minha vida necessitam.”

Raquel explica também a escolha dos produtores por não filmarem entrevistas com especialistas em educação. A prioridade foi dada a educadores, famílias e aos próprios estudantes. Cláudia reforça essa posição. “Ter crianças e adolescentes falando sobre o que acontece na escola é muito potente porque dessa forma dá para ver de verdade o que a educação faz na vida deles.”

Além disso, ambas ressaltam a possibilidade de outros profissionais da educação se identificarem com as falas retratadas na série. “A transformação é exatamente isso. Não é um especialista que vai falar: ‘olha, é assim que faz’. A série mostra muito o cotidiano. São educadores que falam como possibilitam processos no seu dia a dia nessa vivência na escola. O fato de estar na voz de quem faz tem uma identificação mais direta. Uma professora fala no primeiro episódio: ‘eu ainda estou no processo’. A série mostra os medos e as dificuldades de mudar”, explica Cláudia.